Como provar que sua internet está caindo.
Nenhuma operadora resolve um chamado com "a internet caiu às 21h43". Resolve com registro: horário, duração e o que exatamente falhou. Sem isso, o atendimento vira opinião contra opinião.
O que conta como prova
Um teste de velocidade feito uma vez, depois da queda, não prova nada — o problema já passou. Prova é a linha do tempo do que a conexão fez antes, durante e depois do instante exato: respostas do roteador, testes a destinos externos, consultas DNS, verificações HTTPS e eventos do adaptador.
A velocidade também vira prova quando é medida todo dia. O recorder faz até quatro testes por dia, com o PC ocioso, e o histórico de 30 dias mostra quanto do plano contratado chegou em cada período do dia. Veja como funciona o teste automático.
1. Meça por cabo, com o PC acordado
Ligue o computador por cabo direto no roteador principal, sem repetidor. Assim o Wi-Fi sai da conta e a queda registrada não é interferência sem fio. Mantenha o PC acordado durante a coleta e, nos primeiros dias, deixe a VPN desligada e pause downloads grandes: cada variável a menos é uma dúvida a menos no atendimento.
2. Marque o momento da queda
Deixe o recorder gravando e aperte Ctrl+Alt+L quando acontecer. A janela preserva os 5 minutos anteriores e os 2 seguintes, com o instante marcado. Depois, escolha o que você viu e deixe uma nota se quiser. Dois ou três episódios registrados valem mais que uma semana de impressões.
Na nota, diga o que mais falhou: chamada caindo, jogo desconectando, sites que não abriram. Isso liga o gráfico a um prejuízo concreto, e é o que o atendimento leva a sério.
3. Leia o que falhou junto
O roteador e os destinos externos são testados ao mesmo tempo. O que importa é o que falhou no mesmo intervalo:
| Durante a queda | O que sugere |
|---|---|
| O roteador responde, mas os destinos externos param juntos | A falha está depois do roteador: saída do modem, operadora ou rotas externas. |
| O roteador e os destinos externos param juntos | O caminho local entra na suspeita: cabo, Wi-Fi, computador ou o próprio roteador. Ainda não dá para culpar a operadora. |
| Só um destino externo para | Problema daquele destino ou do caminho até ele, não uma queda geral. |
| O ping responde, mas DNS ou HTTPS falham | A conexão existe, mas a resolução de nomes ou os sites falham. Olhe o resolvedor antes de culpar o link. |
É assim que a primeira linha aparece no relatório: uma queda de 47 segundos com o roteador respondendo a todas as sondas. Veja um exemplo de report.pdf, com dados simulados.
É uma leitura inicial, não um diagnóstico. Ping falhando, sozinho, não quer dizer que a internet caiu: alguns equipamentos limitam ou ignoram esses testes. Por isso o recorder registra pings, consultas DNS e verificações HTTPS lado a lado — uma queda real costuma aparecer em mais de um tipo de teste.
Ferramentas como PingPlotter e WinMTR se concentram em ping e rota. Alternativa ao PingPlotter: comparação com WinMTR, PingInfoView e Ping Tracer.
O que os dados mostram — e o que não mostram
Os dados descrevem o que este computador viu, com horários e durações. Eles não identificam o componente responsável. Para separar problema da casa do problema da operadora, repita a medição em outro aparelho ou em outra rede: quedas que aparecem nos dois lados apontam para fora.
4. Mande para a operadora
Preencha só com o que os registros mostram:
"Estou tendo interrupções recorrentes. Monitorei por cabo, sem VPN. Em [data], entre [horário inicial] e [horário final], o roteador continuou respondendo, mas os destinos externos deixaram de responder ao mesmo tempo. No mesmo período, [sites/chamada/jogo] também falharam. Seguem os relatórios. Peço que verifiquem os eventos de desconexão e o sinal da linha nesses horários."
Anote o protocolo. Se não resolverem, leve os mesmos registros à ouvidoria da operadora e, depois, à Anatel. Veja como montar a reclamação.
Queda registrada com horário também ajuda a conferir o desconto automático a que você tem direito: Velocidade mínima da internet: o que a Anatel garante hoje.
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